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TRE mantém cassação de vereador de Ourilândia do Norte, no PA, por compra de votos com 'óculos-espião'

G1
12 de Junho de 2026 às 16:58
4 min de leitura
TRE mantém cassação de vereador de Ourilândia do Norte, no PA, por compra de votos com 'óculos-espião'

Cidade onde candidato comprou votos teve eleitor entrando com 'óculos-espião' O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará manteve a cassação do diploma do vereador reeleito Edivaldo Borges Gomes, o "Irmão Edivaldo" (MDB, por compra de votos e abuso de poder econômico nas eleições de 2024 em Ourilândia do Norte, no sul do estado. Ainda cabe recurso. Segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE), o vereador fez eleitores usarem óculos equipados com microcâmera para gravar o momento da votação na cabine de votação. Ainda cabe recurso da decisão. A Justiça Eleitoral também determinou que os votos do vereador reeleito foram anulados e haverá recontagem dos votos válidos para definir um novo ocupante na Câmara Municipal. ✅ Siga o canal do g1 PA no WhatsApp A decisão de recusar os recursos apresentados pela defesa foi unânime e manteve a sentença da 74ª Zona Eleitoral de Tucumã em ação do MP Eleitoral. Os filhos do vereador também foram cassados, além da inelegibilidade de todos os envolvidos por oito anos. O g1 tenta contato com o vereador, mas ainda não havia obtido retorno até a última atualização da reportagem. 'Óculos-espião' MP pede manutenção de cassação de vereador acusado de compra de votos com óculos espião no Pará MPE De acordo com o MP, a ação foi proposta após a identificação, ainda no dia da eleição, de eleitores utilizando “óculos-espião” dentro das cabines de votação. Os dispositivos tinham microcâmeras usadas para registrar em quem o eleitor votava. O método ilegal era usado para comprovação do voto para pagamento de valores em dinheiro. Na época, uma mesária desconfiou do equipamento utilizado por uma adolescente. A situação foi comunicada à Justiça Eleitoral e ao MP. A adolescente foi apreendida, junto com o equipamento usado no esquema. Um inquérito policial foi aberto e reuniu provas sobre a atuação do grupo investigado. As apurações apontaram que o esquema envolvia o então vereador e familiares diretamente ligados à campanha dele, responsáveis por reunir eleitores e distribuir dinheiro em troca de votos. Testemunhas foram ouvidas durante o processo. Também foram analisados vídeos gravados no interior da cabine eleitoral, apreensão de dinheiro em espécie e santinhos com códigos. Os eleitores disseram ter recebido valores de até R$ 200 em troca do voto e afirmaram que eram orientados a registrar em vídeo o momento da votação para garantir o pagamento prometido. Andamento do processo – Em primeiro grau, a Justiça Eleitoral aceitou a ação ajuizada pelo Ministério Público Eleitoral e determinou a cassação do vereador e Ao julgar o recurso, o TRE do Pará manteve a sentença, reconheceu a gravidade das condutas e destacou que o esquema foi operacionalizado de forma organizada, com participação de integrantes do núcleo familiar do candidato e a autorização do beneficiário direto. Após a manutenção da sentença, a 74ª Zona Eleitoral determinou ainda a adoção das providências necessárias para eventual expedição de novos diplomas e cancelamento dos anteriores. Além da esfera eleitoral, o Ministério Público também propôs ação penal contra o vereador em razão dos fatos investigados. O processo criminal segue em tramitação e aguarda julgamento. Quem é 'Irmão Edivaldo' O vereador “Irmão Edivaldo” (MDB) tem declarado à Justiça Eleitoral mais de R$ 8 milhões. Ele já havia sido cassado em abril de 2025 pela 74ª Zona Eleitoral de Ourilândia do Norte, acusado de compra de votos e abuso de poder econômico. Uma decisão do TRE-PA havia confirmado a sentença de primeira instância, determinando a cassação do diploma, a anulação dos votos, a aplicação de multa e a inelegibilidade por oito anos. A medida cabia recurso ao TSE, e tiveram decisão no último dia 29 de maio. O parlamentar declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas últimas eleições, um patrimônio de R$ 8.375.000, composto por terrenos, veículos e casas. Edivaldo Borges Gomes nasceu em 12 de setembro de 1970, em Uruaçu (GO), filho de Francisco Borges e Maria de Lourdes Gomes. Segundo o site da Câmara de Vereadores de Ourilândia do Norte, ele chegou à cidade paraense em 1986 e, em 1991, casou-se com Marilene da Silva Gomes. Irmão Edivaldo, vereador de Ourilândia do Norte. Câmara de Ourilândia do Norte. É pai de três filhos, Deibson da Silva Gomes, Débora da Silva Gomes e Dhyeimison da Silva Gomes, todos condenados por compra de votos. Em Ourilândia do Norte, ele construiu carreira política com quatro mandatos como vereador. Veja abaixo: Pelo PDT no 1º mandato (2005-2008): 331 votos Pelo PDT no 2º mandato (2009-2012): 359 votos Pelo MDB no 3º mandato (2021-2024): 545 votos Pelo MDB no 4º mandato (2025-2028): 848 votos (cassado) Segundo o próprio político, ele pretendia continuar na vida pública até disputar a prefeitura. No meio religioso, era 1º vice-pastor da Assembleia de Deus Ministério de Madureira. Veja lista de vereadores eleitos em Ourilândia do Norte (PA) VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará
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