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Autoridade investiga possível contaminação de material radioativo no Ipen, na USP

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11 de Junho de 2026 às 20:19
6 min de leitura
Incidente com material radioativo na USP A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) investiga uma denúncia sobre uma suposta contaminação por material radioativo ocorrida em 29 de maio no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), na Cidade Universitária, Zona Oeste de São Paulo. O caso veio à tona após o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) encaminharem à direção do instituto e à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) um pedido de informações oficiais sobre a ocorrência e as medidas adotadas. A ANSN informou ainda que solicitou informações ao órgão envolvido para verificar os fatos relatados e afirmou que a investigação está em andamento. "Neste momento, a investigação encontra-se em andamento, não havendo, por ora, informações adicionais a serem divulgadas", informou a ANSN. O órgão acrescentou que todas as denúncias recebidas relacionadas a instalações radiativas são tratadas com seriedade e submetidas aos procedimentos de apuração cabíveis. Segundo informações preliminares citadas pelas entidades, a situação teria exigido procedimentos emergenciais de descontaminação radiológica, retenção de roupas utilizadas por trabalhadores envolvidos, incluindo terceirizados, e atuação da equipe de Proteção Radiológica para controle da ocorrência. Ainda de acordo com o relato do sindicato, parte dos procedimentos de descontaminação teria ocorrido em locais não destinados especificamente para esse tipo de atendimento, o que, segundo as entidades, levanta preocupações sobre a infraestrutura disponível e o cumprimento dos protocolos de segurança exigidos para atividades que envolvem materiais radioativos. Em nota, o Ipen nega que tenha havido contaminação de servidores e diz que apenas o uniforme deles foi atingido. "Ambos os profissionais foram submetidos ao exame de contagem de corpo inteiro, que avalia possíveis contaminações internas. O procedimento constatou que a contaminação limitou-se exclusivamente às roupas externas, garantindo que nenhum dos operadores sofresse qualquer consequência à sua saúde (leia mais abaixo a íntegra do comunicado)." Agora no g1 No documento, Sindsef-SP e Assipen afirmam que é necessária a divulgação de informações oficiais sobre o material envolvido, o número de trabalhadores potencialmente atingidos, os níveis de contaminação detectados, os riscos à saúde dos envolvidos e as medidas adotadas para contenção da ocorrência. As entidades também relacionam o suposto incidente a problemas estruturais enfrentados pelo instituto ao longo dos últimos anos. Representantes dos trabalhadores vêm denunciando cortes orçamentários, redução do quadro de pessoal e necessidade de investimentos em infraestrutura, concursos públicos e fortalecimento do Programa Nuclear Brasileiro. O documento afirma ainda que outros episódios já teriam ocorrido na instituição em razão de limitações orçamentárias, redução de pessoal e falhas de gestão. As entidades também apontam atraso superior a um ano na realização de exames médicos específicos de servidores que trabalham diretamente com materiais ou substâncias radioativas. Sindsef-SP e Assipen defendem maior transparência na divulgação de informações sobre ocorrências envolvendo materiais radioativos e afirmam que continuarão cobrando esclarecimentos e apuração rigorosa dos fatos. De acordo com a Universidade de São Paulo (USP), os questionamentos sobre o caso deveriam ser direcionados à assessoria de imprensa do Ipen. Já a Polícia Militar Ambiental informou que, em situações desse tipo, a autoridade responsável é a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). O que diz a ANSN "A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) tomou conhecimento dos fatos por meio de denúncia anônima recebida pela instituição. Como ocorre com todas as denúncias relacionadas a instalações radiativas, independentemente de sua origem ou identificação do denunciante, esta foi encaminhada para análise da Diretoria de Instalações Radiativas e Controle (DIRC), responsável pela apuração técnica da ocorrência. No âmbito das providências adotadas, foram solicitadas informações ao órgão envolvido para verificação dos fatos relatados. Neste momento, a investigação encontra-se em andamento, não havendo, por ora, informações adicionais a serem divulgadas. A ANSN ressalta que todas as denúncias recebidas são tratadas com a devida seriedade e submetidas aos procedimentos de apuração cabíveis." O que diz o Ipen "No dia 29 de maio, durante a rotina de produção de Geradores de Molibdênio-99 / Tecnécio-99m, a roupa de um técnico do Centro de Radiofarmácia foi contaminada. O incidente foi prontamente identificado pelos detectores da instalação e o operador realizou a limpeza e o isolamento imediato de sua vestimenta. Após esse procedimento, o piso próximo ao detector reteve um leve traço de contaminação que, na segunda-feira, dia 1 de junho, causou a contaminação do calçado de um segundo operador. Ambos os profissionais foram submetidos ao exame de contagem de corpo inteiro, que avalia possíveis contaminações internas. O procedimento constatou que a contaminação limitou-se exclusivamente às roupas externas, garantindo que nenhum dos operadores sofresse qualquer consequência à sua saúde. Por não haver sequelas ou riscos residuais, nenhum funcionário permanece sob observação. Os envolvidos passaram por novo treinamento e o caso segue sob avaliação interna para o aprimoramento dos processos de controle e segurança. A ocorrência foi imediata e integralmente relatada à Agência Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) por meio de um relatório técnico, não havendo, portanto, de se falar em qualquer tipo de contaminação radiativa que tenha colocado servidores em risco. Contaminações pontuais em Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), embora rigidamente prevenidas, são ocorrências que podem acontecer eventualmente. Por essa razão, em caso de incidente o profissional passa por um monitoramento de dose acumulada e exame de corpo inteiro. As legislação trabalhista permite doses acumuladas significativamente baixas para quem mexe com processos radiativos. O Centro de Radiofarmácia do IPEN adota medidas extras de segurança preventiva, sempre que a dose de um trabalhador apresenta elevação. Nesses casos, a sua função é trocada e a atividade executada passa por uma revisão com o objetivo de garantir a redução da exposição e a melhoria do processo produtivo. Paralelamente à sua produção diária, o Centro de Radiofarmácia mantém uma equipe de pesquisa ativa com projetos promissores como o Lu-177-PSMA-IT, em fase de testes clínicos, e estudos com moléculas marcadas com alfa-emissores, como o Ac-225. O IPEN é um dos maiores fornecedores de radiofármacos para o Sistema Único de Saúde contribuindo decisivamente para o desenvolvimento do Brasil e, em especial, para o tratamento de doenças como o câncer."
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